
UM POUCO DE MINHA HISTÓRIA
“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.”( Jeremias 1.5)
Se tem algo que gosto de fazer, e que irei fazer muito durante esse discipulado esse algo é contar histórias.
Como disse anteriormente embora esteja escrevendo seria um sacrilégio me apresentar como tal. Sou apenas um Jovem pastor que resolveu escrever e registrar algumas experiências que tenho tido com Cristo em meu ministério.
Acredito que se alguém quer realmente ver Deus sendo glorificado em sua vida, precisa antes permitir que ele apareça em sua história.
Tentarei contar um pouco da minha, um breve resumo, espero que você consiga identificar Deus nela e seja encorajado a buscá-lo de todo o seu coração.
Meu nome é Sidinei Profeta, tenho 30 anos, Sou Pastor da rede Águias de Cristo, Rede de Jovens da Minha Igreja. Sou também responsável por vários projetos de evangelismo e por todo o Ministério de Adoração. ( Louvor, dança , teatro, break) Assunto que iremos tratar neste discipulado
Tenho uma família maravilhosa, uma linda esposa que me ama. Sou papai novo, acabei de receber a maior benção de toda minha vida, minha filhinha Isabella, um verdadeiro milagre.
Enquanto escrevo este livro posso te dizer que estou sem duvida vivendo o melhor momento de minha vida. Vivendo um milagre atrás do outro. Mas nem sempre foi assim.( João 10.10)
Nasci e fui criado até os nove anos em uma roça na pequena cidade Moreira Salles no estado do Paraná. Fui criado por meus pais José Carlos e Dona Adélia, sou o irmão do meio de quatro irmãos. Os últimos são gêmeos.
Minha origem familiar é muito simples, porém honrosa.
Deus me deu a graça de nascer em uma família com suas origens no campo, meus pais sempre fizeram de tudo para nos criar com o mínimo de dignidade. Em 1985 viemos para a Cidade de São Paulo tentar uma vida melhor. No inicio, moramos de favor em uma edícula nos fundos casa de um de nossos parentes, foram dias difíceis...
Lembro-me do dia e que cheguei em São Paulo, que decepção que foi para mim chegar em um lugar tão gelado. Pior do que isso foi me acostumar inicialmente com o gelo das pessoas.
Os dias chuvosos eram os piores, a enxurrada tinha seu curso no meio de nossa casa.
Meu pai o grande herói de minha vida, sempre foi um homem muito honesto e batalhador, logo que chegamos em São Paulo ele conseguiu um emprego em uma multinacional, uma fabrica de Pneus. Lembro-me como se fosse hoje de sua batalha para se adaptar a nova realidade, sei que ele só o fez por amor a sua família.
Depois de seis meses morando de favor e tendo que passar por muitas dificuldades meus pais conseguiram comprar um terreno para enfim construirmos nossa própria casa. Para nós era a realização de um sonho. Para meu pai também o era, mas era custoso.
Ele trabalhava no turno da madrugada em um setor chamado pó preto e durante o dia começou a construir nossa casa com suas próprias mãos.
Bom melhor eu pular um pedação deste inicio e falar logo de minha mãe senão minha batata vai assar.
Minha mãe uma guerreira em todos os sentidos, sempre disposta a fazer o possível é o impossível por sua família. Aí de nossa família se não fosse sua serenidade. Quantas vezes eu a vi passando por humilhações para nos preservar. Ela sempre muito simples nunca teve boca tratar mal a quem seja. Cuidou e educou com excelência seus 4 filhos, os 2 últimos eram gêmeos, fez tudo isso em uma época muito difícil.
Para resumir, posso dizer que minha origem é riquíssima, pois mesmo com tantas lutas e dificuldades e mesmo sem meus pais conhecerem a Jesus naquela época. Eles me proporcionaram a maior benção que um filho pode receber de seus pais, sempre presentes em minha vida, foram essenciais na formação do meu caráter.
O bairro em que construímos nossa casa era um tanto quanto perigoso, a malandragem corria solta. Havia naquela época muitas influências terríveis, fui crescendo neste ambiente. Foi um período muito complicado para mim e para minha família. Éramos verdadeiros caipiras, pés vermelhos, expostos a uma realidade totalmente diferente do que estávamos acostumados.
Lembro-me que estive exposto a uma porção de situações como drogas, tráfico e criminalidade. Graças a Deus, suportei. Infelizmente muitos de meus amigos de infância morreram nessa vida. (Salmo 91.7)
Um de meus sonhos quando criança e adolescente era em me tornar jogador de futebol, modéstia a parte eu levava jeito, na verdade estive perto de conseguir algo, hoje entendo, não era essa a vontade de Deus.
Durante essas andanças no meio do futebol estive exposto a uma porção de situações, o uso de drogas é descarado, e em times de bairro os traficantes são os donos do pedaço.
Lembro-me também de um dia em que satanás armou uma cilada para mim em um vestiário antes do jogo. A cena estava armada, todos estavam cheirando cocaína e só eu estava limpo. Na verdade nunca senti muita vontade em usar drogas, só bebia, e verdade que bebia demais por ser apenas um adolescente, mas esse foi um dia em que satanás armou o cenário perfeito. Uma das coisas que acontece muito em periferia é que os traficantes acabam se tornando o referencial da molecada os verdadeiros ídolos do pedaço. Quando você está com eles há uma falsa sensação de poder que toma conta de você. Foi isso o que aconteceu comigo naquele dia, eu me senti poderoso em estar ao lado de pessoas tão respeitadas na comunidade quase cai na cilada. Lembro-me daquele dia como se fosse hoje, na época eu ainda não conhecia ao Senhor mas hoje sei que ele já estava me guardando.(ecl 11.5)
As vezes penso eu poderia ter mudado toda a minha vida naquele dia, mas Deus me guardou. Parece que nesses momentos Deus me fazia fixar na história e luta de meus pais, isso me dava forças para dizer não. O sentimento era de que eu não tinha o direito de dar uma decepção tão grande a eles depois de tudo o que eles tinham feito por mim.
Teve também uma época de minha vida que foi para mim a época de fazer inimigos, tinha o meu melhor amigo Fabio Rogério que aliás é meu grande amigo até o dia de hoje. Mas o resto era só encrenca, inclusive agente saia na rua para arrumar brigas e geralmente apanhar. Coisa de moleque, pouquíssimas pessoas em nosso bairro tinham simpatia por nós, alguns vizinhos por exemplo simplesmente nos odiavam, muitos chegaram até dizer para minha mãe tomar cuidado comigo, diziam que eu tinha tudo para virar bandido. O pior é que eles tinham razão.
Na verdade eu penso nisso até hoje, eu creio que realmente se não fosse Deus entrar em minha vida em um momento muito oportuno as probabilidades de entortar a minha vida era muito grande.
Parece que havia um mal querendo realmente arrebentar com tudo de bom que havia em minha vida e família.( Salmo 105.10)
Outra fase difícil foi a fase em que meu irmão mais velho começou a trabalhar buscando mercadorias no Paraguai, ele ganhou e perdeu muito dinheiro em um período curto de tempo. Isso parece ter mexido demais com ele, foi nesse período que ele começou a se envolver com pessoas totalmente problemáticas, inclusive com pessoas envolvidas com drogas, com obras de magia e tudo de ruim que você possa imaginar.
Foi uma fase muito difícil para nossa família, tinha tudo de ruim envolvido, muitos vínculos malignos e senão bastasse um terrível conflito entre meu pai e meu irmão. Cheguei a presenciar uma triste cena onde os dois trocaram socos e pontapés no meio a rua. Um triste espetáculo que foi assistido por toda vizinhança. Foi realmente muito triste.
Talvez você esteja perguntando, poxa será que aconteceram apenas coisas ruins? Eu te diria que não e sim ao mesmo tempo.
Teve também muitos bons momentos, só que infelizmente eram sufocados pela avalanche de problemas que nos cercava.
Eu por exemplo sempre acreditava que as coisas poderiam se acertar e melhorar, eu me apegava muito na história e no perfil de minha família.( Pv 21.21)
Gente boa honesta e trabalhadora, digo que, mesmo sem conhecer ao Senhor, lutávamos por uma base sólida e isso até nos levava a buscar a Deus, o nosso erro é que entendíamos que só o encontraríamos através de nossa tradição religiosa.
Embora tivesse coisas louváveis em nossa família e criação a religiosidade arrebentava com agente. (Jeremias 5.21)
Tínhamos um terrível preconceito contra os evangélicos. Buscar solução em uma igreja, nem pensar.
Eu pessoalmente sempre olhei para os cristãos “crentes” com muito desprezo, tinha uma igreja ao lado de nossa casa eu particularmente os achava ridículos, essa era a minha classificação, suas orações e tudo o que eles faziam eram reprováveis aos meus olhos.
Não levou muito tempo e Deus me pegou na curva...
ELE MUDOU ESSA HISTÓRIA
"Tirou-me de um lugar horrível, de um charco de lodo; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.”( Salmo 40.2)
MINHA CONVERSÃO
“... não me comprazo com a morte do pecador, mas antes com a sua conversão, de modo que tenha a vida. Convertei-vos! Afastai-vos do mau caminho que seguis; por que haveis de perecer, ó casa de Israel? “(Ezequiel 33,11)
Foi justamente nessa época difícil em que as coisas estavam feias em minha casa, que mudou-se para o bairro uma família de cristãos.( Isaías 13.10)
Tinha uma moça que se compadecia e orava muito por nós. Lembro-me que foi justamente nessa época que nós saíamos em uma banca de amigos para bailes e festas nos salões da região do ABC.
Essa moça começou a buscar uma certa interação conosco, e em um certo momento ela nos convidou para fazer parte de um evento que segundo ela era Show de bola, ela disse que tinha vários ritmos musicais, apresentações diversificadas e etc...
Isso nos chamou a atenção, para fazer um parênteses , nesta mesma época eu fazia parte de um grupo de samba o nome do grupo era SÓ ALEGRIA, na pratica era só tristeza.
Como ela disse que tinha até grupo de samba eu me animei em ir. Depois de alguns insistentes convites nós aceitamos o convite sem sequer imaginar que se tratava de um culto em uma igreja.
Veja como Deus trabalha, se eu soubesse que era igreja certamente não iria, na época eu sempre dizia que nunca pisaria em uma igreja evangélica. Aconteceu que fomos e acabamos curtindo demais aquele culto evangelístico.
A musica era muito boa e alegre. Rolou uma unção tremenda, era sem duvida algo diferente de tudo o que e do que nós já havíamos visto e experimentado.
Quando o pastor fez o apelo para aceitarmos JESUS como único e suficiente salvador sem saber o que de fato estava acontecendo fomos envolvidos por um sentimento totalmente novo para nós. Hoje sei que era a presença de Deus. Naquela noite, todos entregamos nossas vidas para Jesus, foi o líder do grupo levantar as mãos e todos se dirigiram ao altar. ( João 15.16)
O engraçado é que eu não sabia ao certo o que estava acontecendo, só sabia que era diferente. Como eu não sabia orar eu comecei a rezar as rezas que eu sabia, foi muito engraçado.
Não tínhamos nem noção do que Deus estava fazendo naquela noite, hoje sei, ou penso saber.
Nesta noite meu irmão mais velho estava conosco e ele também se rendeu a Cristo. Eu na verdade sempre digo que em minha vida a conversão foi um processo, não aconteceu da noite para o dia.
Mesmo depois de aceitar a Jesus, se é que posso dizer assim continuei durante um período pé na igreja pé no mundo.(João 15.16)
A princípio eu pensava que salvação, Jesus, e esse papo todo que era muito novo para mim, era interessante para meu irmão, não para mim. Eu pensava , ele é quem esta precisando, eu estou bem do jeito que estou.
Aconteceu que no começo de nossa caminhada, eu estava com muitas reservas e por algumas vezes meu irmão foi o um instrumento de Deus. Ele me impulsionava a não faltar nos cultos e ir com sempre com ele.
Foi o suficiente para Deus capturar todo o meu coração e para mim entender que Deus tinha algo também comigo.
O inicio da caminhada foi simplesmente inesquecível, lembro-me que a turminha dos bailes agora era a turma de Jesus. Começou a rolar um inicio de avivamento em nosso bairro. Nós não sabíamos muito sobre como falar sobre Jesus para as pessoas mais também não conseguimos guardar o que recebemos somente para nós.
Nunca vou esquecer aqueles dias, meu primo Marcelo sempre foi uma espécie de líder do grupo, quando estávamos no mundão ele era o líder, na igreja ele se tornou o Comandante. Mesmo sem muito conhecimento ele evangelizava as tortas e as direitas, ninguém ficava sem ouvir o que Jesus estava fazendo conosco.( 2 Tm 4.2)
Neste inicio de caminhada a igreja era longe, mas nós não mediamos conseqüências para buscar ao Senhor. Começamos a locar uma perua que ia lotada para a igreja e em pouco tempo, no máximo um mês não me lembro ao certo, só sei que estávamos indo para a igreja com o ônibus cheio. Interessante ressaltar que não foi uma obra de um pastor ou evangelista, foi algo que na época fugiu ao nosso controle, chegando a inclusive a surpreender o próprio Pastor da Igreja que freqüentávamos.
Enquanto escrevo essas coisas, minha`alma se alegra e meu espírito pula dentro de mim.
Sei que foi aí onde tudo começou, foi o inicio de tudo o que tenho vivido da parte de Deus e será o alicerce para tudo o que ainda virá.
Deus me fez voltar a Sonhar, elevou minhas expectativas me tirou de um charco de lodo de um lugar desafinado e iniciou uma obra de salvação em minha vida e família .
Sei que muito de meus discípulos ficarão impactados ao ler esse resumo, e eu digo resumo mesmo, pois não contei nem 1 % de tudo o que DEUS realizou no inicio de minha caminhada. Quando eu digo que Deus foi bom para eu comigo, eu te garanto, estou falando sério...
ATÉ O FIM...
“Ninguém que lança a mão no arado e olha para trás , é apto para entrar no reino de Deus.”( Lucas 9.62)
Como todo novo convertido eu estava com muita fome e sede pela presença de Deus em minha vida. Como disse anteriormente, passei por um processo de conversão e libertação que durou algum tempo.
É como se Deus estivesse me limpando aos poucos. Embora eu ainda estivesse exposto a muitas tentações e há uma grande variedades de ofertas mundanas, uma coisa estava definida e meu coração, eu havia encontrado o caminho e estava disposta a ir até o fim...
Lembro-me de um conselho que recebi de um Senhor muito usado por Deus, com quem tive a honra de trabalhar. Esse conselho marcou minha vida, reforçou ainda mais a minha decisão por Jesus, nunca irei esquecer.
Ele me contou uma parábola mais ou menos assim:
Você é uma brasa, Deus é o dono da fogueira. A brasa deve estar sempre acesa, o melhor lugar para ela é no meio da fogueira. É certo que nem sempre conseguirá estar o tempo todo no meio. Isso não muda o que você é, brasa. O que não pode fazer é deixar a fogueira por conta própria. Ainda que esteja no cantinho da fogueira, ainda assim haverá um pouquinho de calor e uma grande esperança.
Pode ser que o dono da fogueira, mexa nos cantos te jogando novamente para o lugar onde o fogo é intenso.
Sei que pode até parecer aquelas historinhas para boi dormir, mais acredite se quiser essa historinha mexe comigo até hoje.
No momento era tudo o que eu precisa ouvir, eu estava começando minha caminhada com Jesus. Havia fome por Deus, havia desejo por mais dele em minha vida. Porém estava passando por sérios conflitos interiores, muita pressão, muita luta, para ser mais direto estava passando por aqueles tipos de conflitos que todo novo convertido passa, há uma mudança radical na vida, a rotina, os costumes e ações são profundamente alterados. Como sabemos com Jovens esse processo é ainda mais intenso.
Ouvir a historinha da fogueira foi o máximo, fez me ver os momentos difíceis como parte do processo e não como o fim de tudo. ( 1Cor 10.13)
Já passei anos sentado literalmente no ultimo banco da igreja, frio, sem força e as vezes até pensando que Deus o dono da fogueira não estava mais interessado em mim. Derrepente o dono da fogueira veio e me jogou novamente no meio onde as chamas do espírito são intensas. Como pastor de Jovens sempre encontro muitos vivendo os mesmos conflitos que vivi. O que eu faço? Fogueira neles...
O inicio de minha caminhada teve também um outro lado muito interessante. Durante aproximadamente uns 3 meses freqüentei uma igreja muito longe da minha casa. Chegou ao ponto de termos que começar a procurar uma igreja mais perto de casa para congregarmos. Com a benção de nosso pastor o fizemos.
Foi nessa época que vim parar no Ministério Família de Jesus, igreja onde sou pastor com muito orgulho.
Houve uma certa separação no grupo, meu primo e os demais formam para a igreja da moda na época. E eu contra minha vontade, acabei ficando por aqui mesmo. Digo contra minha vontade porque inicialmente fui impulsionado a participar do culto porque era a igreja mais próxima de minha casa e a única igreja que tinha alguém a quem eu conhecia.
Tive sérios conflitos com Deus pois não me identifiquei inicialmente com o trabalho e o meu desejo era também ir para a igreja da moda. Parece que nessa época Deus estava usando todos os meios para falar comigo sobre o assunto. Por meio de profecia, palavra desafios e etc... Hoje eu entendo a razão.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor ( Isaías 55.8)
Decidi por membrar e caminhar nesta nova igreja, fui aceito de maneira muito calorosa por minha nova família, em pouco tempo estava totalmente integrado e familiarizado com os novos irmãos. Foi nesse meio tempo que meu melhor amigo também veio estar comigo na mesma igreja. Depois ganhamos alguns outros irmãos, entre eles meu amigo mais que irmão Reinaldo (na) hoje baterista do Ministério de adoração.
MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA MINISTERIAL
“Mas vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis.”( Isaías 61.6)
Eu sempre fui uma pessoa muito inquieta e imperativa. Antes de minha conversão já era esse o meu perfil. Na igreja, um pouco mais.
Agora imagina eu com esse perfil , novo convertido, chegando em uma nova igreja. Eu só não queria ficar ocioso, o resto era comigo mesmo.
Na época minha igreja seguia um sistema de trabalho e desenvolvimento de liderança um tanto quanto engessado, não pelo desejo dos pastores. Era mais uma questão de tradição e super-zelo da época do que qualquer outra coisa. Acontecia o que infelizmente ainda acontece em muitos ministérios. Cria-se um sistema complicado, cheio de títulos, regras, tradições e procedimentos que mais atrapalham do que ajudam. Minha salvação foi que embora fosse esse o procedimento padrão para a época, meus pastores já se destacavam por serem líderes a frente do seu tempo.
Lembro-me que depois de alguns meses, não sei exatamente quanto, eu ouvi o Pastor dando um aviso no culto sobre uma reunião ministerial que haveria. Neste aviso ele fez um convite abrindo a reunião também aqueles que estivessem interessados a apreender sobre o assunto ou a se envolver em algum ministério. Eu e meu amigo ficamos muitos felizes pois vimos naquela reunião a oportunidade de nos envolvermos em alguma atividade da igreja.
Lembro-me de um sentimento que iremos tratar com muita seriedade neste discipulado, eu fui para aquela reunião com o sentimento de que poderia ser útil para alguma coisa, Embora não tivesse muito conhecimento naquela época sabia muito bem o que significava servir. Era esse o meu coração, e é neste mesmo sentimento que te aconselho a fazer esse discipulado. Não coloque a carroça na frente dos bois. Comece com os bois, pois são eles os responsáveis por locomover as demais coisas.
Embora no mundão eu participasse de um grupo de samba e gostava muito de percussão eu estava aberto para tudo. Estava disposto a servir a Deus atrás de um púlpito, atrás de um bongo ou atrás de uma vassoura. (Ef 6.6-8)
Eu só precisava de uma direção, o que fazer, como fazer e quando fazer?
Hoje como pastor tenho que confessar que nem sempre é tão fácil lidar com isso na vida de nossos discípulos. Uma coisa engraçada que acontece muito em nossas igrejas é que nós pastores geralmente damos duros sermões sobre ganhar almas, fazer a obra de Deus, mas quando somos confrontados a passar de maneira pratica encontramos algumas dificuldades.
Muitas vezes falamos para nossos discípulos, que eles precisam trabalhar. Fazer a obra e etc... Mas geralmente não explicamos e nem criamos um sistema onde eles possam ser de fato inseridos de maneira prática no trabalho. ( Mt 28.19-20)
Era mais ou menos para esse caminho que estava indo aquela reunião. Foram tratados alguns assuntos importantes. Mas em resumo, não havia muito o que o Pastor pudesse nos enserir de maneira prática, o louvor estava cheio só para variar, o grupo das irmãs não combinava muito com nosso perfil, boa parte dos ministérios estavam sob responsabilidade direta dos pastores, não por opção, por falta. Nessa época tínhamos um sistema onde os pastores tinham que carregar a igreja nas costas. Nada fácil!!! Verdadeiros super-heróis.
Quando eu estava pensando que não haveria mais nada, surgiu na pauta da reunião a pintura da igreja, algo que eu podia ser inserido de forma prática, houve também um apelo para novas adesões ao ministério de intercessão. Na época pelo que me lembro esse ministério era composto apenas por algumas senhoras. Para ser sincero ajudar na pintura da igreja não seria nenhum problema, na verdade uma honra, faço isso até hoje se necessário e com muita satisfação. O problema é que não sabia muito ou quase nada sobre intercessão. Mesmo assim “Eis me aqui” aceitei na primeira. Foi tudo realmente muito de Deus, mas foi também muito engraçado.
O Pastor agiu de maneira clara e sem rodeios passou alguns ensinamentos e orientações sobre o ministério de intercessão, sua importância e no próximo culto estava eu e meu amigo, um de frente para outro, na frente do altar com as mãos levantadas intercedendo. Nem atrás do púlpito, nem atrás da vassoura, na frente do altar com as mãos levantadas. ( Salmo 100.2)
Uma cena que em palavras não sei descrever. Era tanta felicidade por poder fazer algo para Deus. E por mais que haja ponderações a fazer sobre a maneira que iniciei o ministério. Por mais que alguém possa entender ou “maduramente filosofar” a respeito, os frutos mostram que nem o pastor e nem Deus errou em nos inserir daquela maneira no ministério. Sei que foi uma exceção, mas eu sinceramente acho, que há momentos onde esses tipos de exceções e particularidades só acontecem para justamente trazer um diferencial ou até uma drástica mudança no ministério.
Tais experiências quebram protocolos, quebram paradigmas e isso desde que gerado em um ambiente de legalidade e obediência só tem a acrescentar. Foi isso o que entendo ter acontecido. Atrás daquilo que para muitos seria um “erro” ou fora da cartilha estava o inicio do trabalhar de Deus em meu ministério. O que foi sem duvida um grande bem para mim e para toda a igreja.
Não quero aqui, abrir um argumento para se quebrar regras, estatutos ou protocolos. Entendo que eles tem seu lugar e há casos onde eles são fundamentais. Só acho que a melhor coisa é não se prender 100% a eles. Ouvir a Deus, ainda é sempre será a melhor coisa a fazer em qualquer situação. Ele está sempre pronto a mudar nossos planos, e isso para o nosso próprio bem.( Dt 29.29)
Sei que realmente há uma linha muito fina nesse assunto, mas pense bem, perfis como o de Pedro e André (Os Filhos do trovão) Paulo, (Antes Saulo, um dos maiores perseguidores da Igreja Primitiva) Davi (O rei que pecou no atacado e varejo) e outros personagens bíblicos teriam grandes dificuldades para se enquadrar em nossos estatutos, quebrariam boa parte de nossos protocolos e teriam dificuldades para entender boa parte das nossas tiradas teológicas.
Na alegação dos “entendidos” tais pessoas não teriam o perfil ideal a bagagem necessária e blá, bla, blá... para ocupar os altares de nossas igrejas, em alguns casos não seriam aceitos sequer como membros.
É por isso que dou graças a Deus por ter me direcionado para uma Igreja onde seus líderes tinham e tem uma visão de inclusão. Inclusão responsável, mas não deixava de ser inclusão.
Aquela oportunidade que me fora dada por Deus através dos meus pastores foi sem duvida o pontapé inicial para todas as demais coisas que vieram a acontecer em minha vida e em meu ministério.
Nunca vou esquecer de nenhum desses acontecimentos, mais do que isso tento fazer deles um parâmetro, em circuntâncias parecidas é muito provável que saberei como agir diante da Igreja, de meus discípulos e de todos os ministérios que estão sob minha responsabilidade.
Nunca vou esquecer o meu primeiro serviço casa de Deus foi ser um reparador de brechas, um intercessor...
“...serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável.”( Is 58.12)
EU, E O MINISTÉRIO DE ADORAÇÃO
“... A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.” (HB 2.12)
Como neste livro o meu foco principal esta no ministério de adoração não poderia deixar de contar a maneira maluca é engraçada de como acabei parando neste ministério.
Como intercessor eu estava literalmente há um degrau do altar, eu ficava na frente do altar intercedendo.
Nesta época nós realizávamos aos sábados o culto dos jovens, eu e meu amigo compramos um instrumento de percussão para fazermos uma canja nesse culto.
Você já ouviu a historia do garoto que só jogava futebol com os amigos porque a bola era dele. Foi mais ou menos por aí.
Não que eu e meu amigo éramos ruins, muito pelo contrário o tempo que tocamos no mundo até que nos credenciava como razoáveis percussionistas. Menos...
A nossa dificuldade é que mesmo se tratando de uma igreja pequena e modesta, o grupo de louvor era muito respeitável.
Tanto no vocal como no instrumental não teria lugar para mim nem para meu amigo. Nos cultos de sábado tínhamos a tão popular “oportunidade”. Nós revezávamos entre a intercessão e percussão. Eu na verdade nunca tive grandes pretensões musicais, tinha uma modesta paixão mais nada que me fizesse perder o sono.
E Pasmem meus irmãos, é assim até hoje, não me considero uma pessoa que perderia o chão se não estivesse no ministério de musica, pelo menos penso que não.
Me considero um apaixonado por musica deste que ela tenha de fato o propósito de atrair e glorificar a Deus. Caso contrário não perco o meu tempo.
Bom, mais voltando a descrever como vim parar no ministério de adoração. Aconteceu que embora tivéssemos na época um bom grupo, a identificação de alguns componentes com a igreja não era das melhores. Se não bastasse isso, nesta mesma época houve o que eu chamo de a febre do gospelstar´s.( Classificação minha)
Isso ocorreu não apenas em nossa igreja, aconteceu em muitas em todo o Brasil. Havia uma igreja que estava se expandindo muito no cenário brasileiro, e uma de suas marcas era o trabalho com Jovens e a preocupação em fazer musica de boa qualidade. Quando falo sobre esta igreja só não cito seu nome para não gerar comentários que tenham dupla interpretação. Na verdade eles, tem minha admiração pelo que fizeram e fazem até hoje, foram na minha opinião sem sombra de duvidas os maiores responsáveis pela grande revolução musical que a igreja brasileira viveu a partir dos anos 90.
A parte complicada que também não posso responsabilizá-los é que muitos bons músicos que já estavam “estabelecidos” em seus ministério sonhavam em fazer parte do ministério de louvor desta igreja. Seria na mentalidade de alguns “A chance para o estrelato gospel”.
O pensamento da grande maioria é que estando lá teriam mais chances de realizar suas pretensões como ministros, mais visibilidade e etc. Sinceramente seria leviandade de minha parte afirmar que era essa a motivação que havia no coração dos integrantes do nosso ministério, só sei que nesta brincadeira perdemos a espinha dorsal de nossa banda. O único e excelente Guitarrista, dois bateristas , e o único baixista. Lembro-me como se fosse hoje, ficamos em uma situação muito complicada no que diz respeito a musica nos cultos.
Não havia peças de reposição à altura, tivemos que literalmente quebrar o galho. Foi nessa fase que recebi o convite para ministrar o período de louvor e adoração. Não foi nada fácil, nem para mim, e imagino que para quem me ouvia, ou seja , aqueles que conseguiam me ouvir.
O microfone ficava a pelo menos a uns 40 cm da minha boca no período da musica. O que fazia era antecipar as frases e falas nos intervalos de uma musica para outra. Doidera né?
A afinação não era das melhores. Foi nesse tempo também que boa parte dos Integrantes da atual formação foram integrados ao ministério de adoração. Graças a Deus que nos abençoou com a presença do pastor João que nos ajudou muito neste período.
Foi nesse período que o nosso guitarrista atual, Marlon Martins e nosso Baterista Reinaldo (NÁ) começaram a liberar os seus primeiros dotes Musicais. Difícil mesmos era identificá-los no inicio.
Vivemos na prática o famoso jargão “ Só tem tu vai tu mesmo”
Fomos treinados literalmente no calor da batalha. Só para variar...
Sei que “os entendidos” poderão tecer criticas severas e encontrar vários pontos negativos sobre esse inicio. Eu sinceramente também consigo encontrar algumas quebras de protocolo.
Mas vendo isso tudo pelo que entendo ser o melhor ângulo, vejo que foi muito providencial. Não condeno os meninos que saíram na época pois de fato eles saíram com a benção de nossos pastores e no que diz respeito ao ministério de musica realmente tínhamos e ainda temos muito a crescer e a aprender.
Não condeno a igreja que os receberam pois, como disse anteriormente , essa igreja realmente fez um grande bem a musica gospel brasileira, só não reconhece isso quem não conhece nada sobre o assunto.
Tudo o que aconteceu e todas as experiências que tivemos por conta desses fatos são realmente enriquecedoras. Para mim que agora sou responsável por esse Ministério tão complexo elas servem como parâmetro, virou até material de discipulado.( 1cor 1.25)
Hoje eu juntamente com todos aqueles que iniciaram naquele período estamos colhendo ou lutando para colher o que semeamos em tempos tão difíceis. A formação atual conta com praticamente 70% por cento dos músicos que passaram e cresceram juntos naquela época. Esses acontecimentos e muitos outros que vivemos juntos até aqui, fizeram de nós uma família de verdade. Isso com todas as suas alegrias e problemas.( EF 4.32)
Hoje temos visto o cumprimento de Deus em nosso ministério e podemos dizer que ele tem feito muito mais do que imaginamos. Acabamos de realizar mais um sonho e viver mais uma promessa de Deus para nós. Gravamos o nosso primeiro Álbum, O Cd Som Celestial. Um trabalho recheado de maravilhosas experiências, onde podemos dizer que em todo o processo Deus tem nos surpreendido. (Sobre o Cd irei escrever em uma outra oportunidade.( Salmo 84.12)
Quando as vezes falo para meus discípulos que não imaginava viver isso que estamos vivendo da parte de Deus estou falando sério.( Isaías 26.3)
Penso também que essa inconfundível unção que Deus tem derramado sobre nosso ministério, e algo que só é real porque foi assumida por todos. (1 João 2.20)
“E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.”
É sem duvida o resultado da cobertura e confiança que recebemos de nossos pastores, resultado de muitas experiências com Deus, resultado de muita perseverança, coragem e principalmente esforço excessivo em toda a caminhada.
LIDERANÇA A VISTA
Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.’ ( Josué 1.9)
Outra área da minha vida que foi sem duvida muito trabalhada com todo esse processo, foi o inicio de um duro aprendizado na área de relacionamentos, e principalmente o desenvolvimento de uma liderança que eu sequer sabia que existia.
Foram tantas experiências neste sentido, que hoje penso que sem elas eu não teria a menor condição de desenvolver ou ter êxito no trabalho que realizo atualmente.
Em resumo, aprendi que para quem trabalha em grupo liderança é essencial, mas para quem trabalha em grupo com músicos e artistas, liderança passa a ser uma questão de sobrevivência.
Lembro-me que em pouco tempo, já havia um reconhecimento de uma liderança que fora conquistada espontaneamente.
Quando dei por mim. Minha opinião estava incluída em todas ou quase todas as decisões e planejamento do Ministério.
Em poucos anos tudo ou quase tudo também passava por mim.
Algo que ocorre até hoje, agradeço a Deus e honro também meus pastores pela confiança.
Honro também meus discípulos pela aliança que tem comigo, sei que é essa confiança e aliança que tornaram tais coisas possíveis.
Importante ressaltar que essas coisas ocorreram com naturalidade não houve forçação de barra.
Nunca me vi com capacidade para isso. ( 1 Cor 1. 27) Também nunca pedi para liderar sobre nada. Na verdade não pedi nem sequer para ser ordenado a Pastor, as coisas sempre fluíram naturalmente ou melhor sobrenaturalmente.
Em outra oportunidade falaremos sobre isso mais detalhadamente.
Hoje graças a Deus como Pastor tenho ou penso ter o respeito carinho e a admiração de todos com quem caminho, meus pastores, e também daqueles que caminham comigo, meus discípulos.
Isso é algo que sinto com muita transparência. Ter tal resposta de seus líderes e discípulos até que da para se entender.
Agora sentir esse respeito também em um universo tão complicado como os dos “artistas” é sem duvida uma grande vitória para qualquer líder. Não seria diferente para mim.
A grande lição que tiro e quero passar a diante em todo esse processo de aprendizagem é que se alguém entende ter capacidade para liderar, precisa antes, desenvolver a capacidade de conviver com as pessoas. ( Colossenses 3.13)
Só assim, poderá entender sua realidade, o universo em que vivem, e só assim obterá as informações necessárias que farão daquelas pessoas aliados, não adversários .
Aprendi também que não da para tratar todos de igual forma. Mas que é preciso tratar a todos com justiça.
Outra lição, talvez a maior, foi entender que ninguém quer seguir pessoas que se apóiam somente em seus títulos ou posições, muito menos seguir pessoas que se apóiam em outros. ( Tito 1.7)
Aprendi que se queremos desenvolver uma liderança saudável e eficaz. Ela deverá estar direcionada na necessidade das pessoas em não nas nossas. Seguindo o modelo de Jesus que veio para servir e não ser servido.( Mt 20.28)
Sei que sobre liderança ainda tenho um caminho muito longo a percorrer, ainda há muito o que aprender, mas minha alegria está em já ter algumas coisas importantes para poder ensinar.
Durante esse nosso discipulado de louvor e adoração liderança será uma das áreas fundamentais a ser trabalhada na na vida de nossos ministros.
É preciso que você entenda que por mais excelente que seja naquilo que você faz, só conseguira fazer parte de algo realmente significativo se tiver desenvolvido a capacidade de influenciar positivamente as pessoas que caminham contigo.( PV 14.28)
Verá que querendo ou não tudo gira em torno de uma liderança ou da falta dela. (Gênesis 1.28)
Não importa o Ministério que irá compor, em algum momento ou terá líderes sobre você, ou será desafiado a liderar com excelência em alguma área.
Nas duas posições deverá desenvolver habilidades e capacidades. Esteja certo, seu talento por si só não será o suficiente. Queremos trabalhar muito bem esse tema.
Não queremos identificar apenas bons artistas, nossa visão é levantar verdadeiros líderes que tenham como a maior arte a capacidade a influenciar pessoas.
...não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,( 2. Cor 3.5)
Quem consegue entender, e realizar isso de maneira positiva no meio de ministros “artistas”, acaba de apresentar a Deus e ao mundo um verdadeiro espetáculo.
“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”( João 4.23,24)
“ Com asas de águia e coração de servo”
Pr Sidinei Profeta